Operador de caso JBS é suspeito de desvios no SUS e beneficiar políticos

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Nestes do esquema de propinas da JBS, vieram as acusações por desvios do SUS. Mas não só isso.
Houve, ainda, suspeitas de benefícios a empresários em um centro de pesquisas no interior de Minas. Além disso, a participação nas investigações que levaram à condenação do criador de Inhotim, maior museu a céu aberto do Brasil, por lavagem de dinheiro.
Todos esses casos têm um ponto em comum: o advogado Odo Adão Filho.
Odinho, como é conhecido, é filho de Odo Adão, ex-vice-prefeito de Uberaba e cirurgião plástico. Tido como boa praça e bem articulado, circulava como interlocutor entre empresas e o meio político do Triângulo Mineiro, até começar a aparecer sucessivamente em escândalos de corrupção. 
Nelas, sempre é citado pelos investigadores como um operador financeiro, em casos que frequentemente envolvem emissões de notas frias, ou como lobista.
O último desses episódios é a Operação Capitu, que prendeu Joesley Batista e o vice-governador de Minas Antônio Andrade (MDB) na sexta (9). Odinho teve mandado de prisão temporária expedido, mas não foi encontrado e a polícia o declarou como foragido. Porém, nesta segunda (12), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou todas as prisões da operação.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o escritório de advocacia de Odo Adão Filho emitia notas fiscais de serviços que não eram prestados para a JBS. Esse dinheiro, ainda de acordo com os investigadores, ia para MDB da Câmara. Um dos possíveis beneficiários era o próprio Antônio Andrade.
O padrinho político de Odinho e do seu pai, no entanto, era tucano. Ambos eram braços direitos do ex-presidente do PSDB de Minas Gerais Nárcio Rodrigues. 
Com ajuda de Nárcio, ele ocupou a presidência do Ceneg (Centro Nacional da Cidadania Negra), que foi irrigado com dinheiro federal —e fechado em 2009 após suspeitas de desvio de dinheiro. Nesse caso, Odinho não estava entre os denunciados.
Quando Nárcio se tornou secretário de Ciência e Tecnologia da gestão Antonio Anastasia (PSDB), em 2011, o advogado foi com ele à Europa para conhecer projetos de inovações tecnológicas. Intermediou o contato do tucano com empresas.
E foi por causa de um projeto de ciência que ambos foram presos em 2016, na Operação Aequalis, que apurava desvios na “Cidade das Águas”, centro de pesquisa em Frutal, reduto eleitoral de Nárcio.
Em troca, dizem as investigações, o PSDB receberia dinheiro para financiar campanhas eleitorais em 2012.
À época, os investigadores afirmaram que o grupo português Yser, onde Odinho trabalhava como relações institucionais, foi beneficiado com dinheiro público.
Ambos chegaram a se tornar réus, mas a Justiça de Minas Gerais decidiu que o assunto é não é de competência estadual e esse processo foi arquivado por lá.
No entanto, os autos, agora, estão sob sigilo em uma vara federal de lavagem de dinheiro.
Tanto a defesa de Nárcio quanto a de Odinho sempre afirmaram que eles não cometeram crimes. A defesa de Nárcio ainda diz que o Ministério Público nunca obteve provas que justificassem a sua prisão.
No ano seguinte à Operação Aequalis, em 2017, Odo Adão Filho foi condenado pela Justiça Federal a oito anos e quatro meses de prisão por desvio de R$ 390 mil em verba do SUS de um hospital administrado por seu pai em Uberaba.  
Os crimes teriam acontecido entre 2008 e 2009 e também envolvem notas frias que Odinho teria utilizado para justificar os desvios.
Na sentença, o juiz Élcio Arruda diz que sua personalidade "revela algum desajuste, alguma insubmissão aos valores éticos e sociais norteadores da vida em comunidade" e diz que "os motivos da infração são injustificáveis".
Sua defesa diz que não há prova da utilização indevida de verba pública e recorreu. Ele responde em liberdade e não há data para o julgamento em segunda instância.
Meses depois após a sentença do hospital, Odinho volta a aparecer em novo caso, desta vez como testemunha. 
Ele afirmou ter sacado cheques de R$ 300 mil emitido pela empresa de Bernardo Paz, criador do Instituto Inhotim, o parque-museu de Brumadinho (MG).
Segundo ele, a maior parte dessa quantia, R$ 220 mil, foi devolvida ao próprio Bernardo. O Ministério Público Federal afirma que o idealizador de Inhotim recebeu dinheiro de firmas criadas em paraísos fiscais.
Isso levou a Justiça Federal a condenar o ex-presidente do museu a nove anos e três meses de prisão.
A defesa de Bernardo Paz nega que ele tenha cometido qualquer irregularidade e recorreu.
Odinho não foi localizado pela reportagem. Os advogados que o defenderam em casos anteriores não dizem se também estão na defesa dele no caso da Operação Capitu.
A defesa de Joesley Batista e a J&F, dona da JBS, têm afirmado que a operação de sexta só existiu por causa das delações e que não houve justificativa para as prisões.
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