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Com dívidas de R$ 100 milhões só com aeroportos, Avianca pode perder aviões

Após se expandir rapidamente, a Avianca no Brasil enfrenta dificuldades para pagar fornecedores, cumprir obrigações com concessionárias de aeroportos e pode ter de devolver aviões. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a dívida com todos os aeroportos brasileiros, públicos e privados, chega a quase R$ 100 milhões - só com o de Guarulhos são R$ 25 milhões. Nem todos os débitos foram protocolados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Nesta semana, uma decisão da Justiça de São Paulo obrigou a Avianca a devolver 11 aviões - o equivalente a 18% de sua frota - para a Constitution Aircraft, subsidiária da americana Aircastle, de aluguel de aeronaves. A aérea, no entanto, pode recorrer.

Segundo uma fonte em Brasília, fornecedores de combustível estão entre os poucos que têm sido pagos. No mercado, uma recuperação judicial é vista como a melhor saída para a empresa, pois impediria que os aviões tivessem de ser devolvidos a credores.

A situação da empresa tem afetado o caixa das concessionárias de aeroportos. Em outubro, a GRU Airport, que administra o aeroporto de Guarulhos, protocolou na Anac um pedido de intervenção para resolver a inadimplência da Avianca. No documento, a concessionária afirmou que estudava medidas passíveis de serem tomadas para punir a operadora. Uma delas seria restringir o embarque de passageiros para voos da companhia pelo aeroporto. 

Segundo a Anac, há outras reclamações contra a Avianca. No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a dívida chegou a R$ 5 milhões, mas a empresa conseguiu pagar metade do valor. A agência afirmou que instaurou processo para apurar a conduta da aérea.

Sobre a situação das aeronaves, a Anac afirmou que, até o momento, não recebeu nenhuma solicitação de cancelamento de matrícula contra a operadora Avianca Brasil.
Expansão

A Avianca Brasil vinha crescendo rapidamente. No fim de 2015, tinha 10,5% do mercado doméstico e menos de 1% no internacional. Hoje, a participação no mercado nacional chega a 13,55% e, no internacional, 7,72% (considerando apenas as empresas brasileiras). No mesmo período, só a Azul ganhou participação de mercado, mas de forma mais modesta, passando de 17,1% para 18,8% no segmento doméstico.

Empresas aéreas demandam grande volume de recursos para crescer. A Azul, por exemplo, foi à Bolsa no ano passado para levantar R$ 2 bilhões. Na Avianca, no entanto, não houve nenhuma grande injeção de capital.

Endividamento

No documento, a empresa afirma que tem conseguido aumentar suas receitas, mas não o suficiente para compensar as altas no preço do combustível e a variação cambial. Diz ainda que está controlando os gastos e que pretende recorrer ao mercado para estender o prazo dos empréstimos. Do total da dívida financeira, apenas 22,7% vence em 2021, o restante, até 2019.

Procurada, a Avianca disse que negociações com credores "fazem parte da rotina de qualquer empresa para otimização de resultados" e negou a possibilidade de entrar em recuperação judicial. Garantiu ainda que as contas com os aeroportos estão em dia. A concessionária GRU Airport, que administra o aeroporto de Guarulhos, não respondeu. 

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