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No foco de crises que afetam o Planalto, Ricardo Barros segue inabalável no cargo

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ganhou uma espécie de imunidade do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de ser investigado pela CPI da Covid e estar envolvido numa série de suspeitas, o deputado se mantém inabalável em sua função.

Há ao menos duas razões para a autoconfiança do parlamentar. Primeiro, Bolsonaro resiste em transformar a demissão de Barros em vitória de seus opositores na CPI. Segundo, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), tornou-se um fiador da permanência do deputado na liderança do governo na Câmara.

A situação de Barros parecia insustentável quando o deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse à comissão parlamentar que o líder do governo na Câmara foi citado numa conversa com Bolsonaro sobre uma denúncia de irregularidades envolvendo o contrato de aquisição da vacina indiana Covaxin firmado pelo Ministério da Saúde. Naquela ocasião, segundo Miranda, o presidente sugeriu que o negócio suspeito seria “coisa” de Barros. Bolsonaro nunca desmentiu o parlamentar.

— Em todas suas falas, Miranda disse que o presidente, na verdade, perguntou se eu estava envolvido no caso e nunca afirmou que eu estava. O presidente nunca afirmou e não tinha como desmentir o que não afirmou — justificou Barros à CPI.

A partir daí, a comissão passou a aprofundar a investigação do elo entre Barros e o Ministério da Saúde, sobretudo com Roberto Dias, ex-diretor de logística da pasta, responsável por conduzir o processo de importação da Covaxin, cancelado pelo governo após o escrutínio do colegiado.

Barros é réu por improbidade administrativa e suspeito de ter atuado, na condição de ministro da Saúde durante o governo Temer, a favor da Global Saúde, empresa dos mesmos sócios da Precisa Medicamentos, intermediadora da negociação da Covaxin com o ministério.

Em outra frente de investigação envolvendo Barros, a CPI está apurando uma suspeita de favorecimento à transportadora VTC Log, cujos contratos no Ministério da Saúde aumentaram em 70% na gestão de Barros na pasta.

Apesar de já ter manifestado a aliados interesse em substituí-lo, Bolsonaro evita trocar o parlamentar para não dar munição às investigações da CPI da Covid, que pode atingir o próprio governo. O presidente diz a seus auxiliares acreditar que os senadores usam a comissão como palco para desgastá-lo e que Ricardo Barros estaria sendo usado para isso.

O deputado prestou um breve depoimento à CPI em 12 de agosto. A sessão foi encerrada após o líder do governo na Câmara irritar senadores com a afirmação de que a comissão teria afastado pessoas interessadas em vender vacinas para o Brasil.

— Fui tão bem que os donos do jogo pegaram a bola e foram embora — disse ao GLOBO logo após o fim do depoimento.

Ataque como defesa

A aliados, Bolsonaro considerou satisfatórias as explicações de Barros durante o depoimento na CPI. Para evitar o seu enfraquecimento, o líder do governo tem batido de frente com a comissão e tem procurado se manter atuante na condução das pautas, frequentando as cerimônias no Palácio do Planalto.

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