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Quase 97% das pessoas assassinadas pela polícia na Bahia em 2019 eram negras


Na Bahia, 96,9% das pessoas assassinadas pela Polícia Militar em 2019, com cor e raça informadas, eram negras. Os dados são do levantamento anual feito pela Rede de Observatórios da Segurança, divulgado na manhã de hoje (9). Das 489 vítimas por intervenção policial identificadas, 474 eram pretas ou pardas.

Segundo o G1, o coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Dudu Ribeiro, avalia que a política de guerra às drogas, instituída pelo Estado brasileiro, é um dos fatores que contribuem para a autorização do cerceamento de vidas negras.

"É a partir do discurso de guerra às drogas que territórios são ocupados e que famílias são destruídas, que pessoas são encarceradas. Uma parte significativa da população negra, que não consome substâncias psicoativas tornadas ilícitas ou as comercializa, é afetada a partir da criminalização do seu território, e também são afetadas porque esse modelo de guerra determina, no poder público, o direcionamento dos investimentos", explica Dudu, que também é o-fundador da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD) e historiador.

"A guerra às drogas é um 'sucesso' porque, durante todo o século XX e XXI, SE demonstrou, em diversos episódios da história sua intencionalidade, como mecanismo de produção de controle, de vigilância, de punição, de distribuição desigual de oportunidades de vida, de rastreamento das pessoas e de limitação da sua capacidade de exercício pleno de cidadania", completou.

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